quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Do amor mesmo sei muito pouco.
- e desse pouco que sei -

Sei que sua sonoridade se faz no silêncio de ter companhia
Na ausência de palavras de qualquer tipo
Na profundidade de horas de contemplação e carinho mudo
Sei que a liberdade é seu mar
E cabe a nós sermos barcos, navegando juntos pela mesma rota
marítima
As vezes as ondas são grandes, outras quase imperceptíveis
Todas batem no casco
Todas causam dano
Nem toda onda afeta igual os barcos
Porém o mar a navegar segue mostrando a mesma rota
Sei que os olhos são precipícios do amor
E ao aceitar o amor estamos em queda livre no abismo que
é o olhar do ser amado a nos fitar
Há vezes que o olhar escurece e sentimos que o fim desse voo se aproxima
Outras vezes que abrimos os braços e apreciamos a queda em meio a escuridão
do labirinto que é o abismo alheio
Sei que tudo que causa vertigem a mim, causa vertigem ao ser amado
Sei que empatia é um dos calcanhares do amor
Mas que se colocar no lugar, não é estar no lugar
Portando as ações de um podem refletir no outro,
porém jamais serão as mesmas consequências
Sei que esperar que a primeira iniciativa venha do ser amado
é tomar a iniciativa de não fazer nada pelos dois
Sei que a espera é calo, a bolha, o desconforto da adaptação
A dor é inevitável, mas sempre temporária
É necessário ajustes de corpos, de humores, de almas, de ideologias
Após a frequência ajustada, finda a dor
O pé confortável calça o sapato alheio e caminha sem exaustão
Sei que o amor não é plenitude aos jovens
Sua elevação e ápice e mérito da maturidade
E raramente se calcará na tolice e precipitação do fulgor da juventude
Sei que o amor não é verbo,
nem substantivo
É uma classe existencial que não tem wikipedia
nem aurélio, nem gramática
Porque o pouco que sei do amor
se define em deliciosas contemplações de ausências linguísticas

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